8.12.09

2010

Usufruir (u-í) - Conjugar (latim usu fruere, fruir do uso) v. tr.
1. Ter a posse e o gozo de alguma coisa que se não pode alienar ou destruir (ex.: usufruir de um bem imóvel).
2. Usar ou aproveitar alguma coisa boa ou agradável. = desfrutar, fruir, gozar


Sinónimo Geral: usufrutuar

Nascimentos

Primeiro foi a Anamaria. A cigana subtil.


Depois foi a AnaD (última década)/Anadê (hoje). A cigarra libertária que só trabalha.

Hoje, Dia de Santa Bárbara, nasceu Marcelo (Honey). Um arcano maior do Tarô.
[Marcelo, de tão inseparável de Anadê, virou com ela Hanneana, a entidade].

Em comum, todos têm minha lealdade. E compartilham minha ausência.
A vida vira, eles sabem. E quem vai, volta.

Que os três tenham o maior amor do mundo nesses dias únicos de novembro e dezembro!

Cabarés, Cafés y Confiterías

O maestro Carlos García diz: "quando ouvirem um tango bem orquestrado, se não lhe estremece o peito, dedique-se a outra coisa."

E ressalta Osvaldo Requena: "Vocês viram D´Arienzo, que, de repente, faz um silêncio? Parece que expressa tudo o que vem antes."

Também alerta Alberto Podestá: "Um pouco mais baixo para não engasgar com as palavras."

E resume, absoluto, José Pepe Libertella: "Não dá para separar o tango da vida!"
.....
Sobre o filme produzido por Santaollala: é uma película para músicos, arranjadores e produtores musicais.

Nós, amantes e amadores, só usufruímos.

Acerca de Santaollala: http://www.ilike.com/artist/Gustavo+Santaollala

Mondo cane

Sobre ética profissional: há 25 anos, quando comecei no jornalismo, havia uma regra irrevogável de nunca noticiar suicídios. Era uma crença - que considero correta - de que a divulgação poderia estimular outras tentativas.

Me arrepiei ao ver, esta semana, a morte de uma atriz estampada nas primeiras páginas sem escrúpulos.

7.12.09

As meninas

Eu conheço uma menina - e depois dela já veio outra e outro e desses dois vieram outro e duas outras - que acordou anteontem achando que não haveria depois de amanhã.


Irascível ela. Indomável. Seu tempo era o agora e assim deveria ser o dos outros.

Pois hoje, mais uma vez ela desafiou o tempo. É a única pessoa que conheço que sai do fio de uma lâmina pedindo café com leite e croissant de queijo.

Ao mesmo tempo, outra garota que nasceu de mochila, com os olhos no portão e no céu, pousou em lugar desconhecido.

Depois de passar toda sua vida - e já se vai quase meio século - acreditando que distâncias cada vez maiores lhe aumentariam a chance de descobrir um tesouro perdido, recebeu um papel que nunca lhe fez falta e nem pensou conquistar.

Achou seu lugar no mundo.
Imagem do blog da jornalista Maria Tereza Costa, Haicais

30.8.09

Repentinamente, num domingo

Abro a tela e me deparo:

"O que dizer quando já se disse tudo? Queria só o seu peito aberto para receber minha cabeça cheia de caraminholas indizíveis. Fantasmas. Monstros. Ameaças. Medos. E depois que seu amor silencioso reduzisse tudo a fumaça, em dois segundos brotariam do meu corpo flores amarelas e lilases, e de minha boca uma brisa soprando melodias frescas.

Há momentos em que eu sou forte, tão forte que os outros chegam a acreditar que sou realmente forte. Pode-se dizer que sou inteiramente responsável por essa distorção na minha imagem. E se me abandonam achando que não vou sentir nada, já que sou forte, a culpa é minha. E se me despejam nos ombros um mundo supondo que ele me será leve, não posso me queixar a ninguém, fui eu quem quis assim. E se meus ombros vergam – pensam – é apenas um cansaço passageiro, porque eu sou forte e hei de encontrar forças para endireitar as costas.

Mas eu não sou forte. E o mundo, às vezes, me pesa tanto que até minhas asas imaginárias são recrutadas a amparar o que me curva os ombros. O par de asas feito amparo. E sem asas – embora eu pareça forte assim, porque com elas transformadas em braços eu redobro a capacidade de suportar peso – sem asas eu não sou nada. Minha força - uma que não se vê, não se recruta e não se esgota - está nas asas. Mas apenas quando elas são asas."

.....
Esta é Anamaria. Rossi. Uma amiga que foi - com o tempo - criando raízes no meu coração e agora saiu pelo mundo, como convém às mulheres de escorpião.
Recebo suas mensagens nas garrafas soltas em "Yo que sé?".

Às vezes rio, às vezes pactuo e, como hoje, também sou pega de surpresa com a garganta garroteada.


É vida o que Ana (d)escreve.

Imagem: a mulher alada é do lírico "Jardim dos Encontros".

25.8.09

Piada de caserna

Editora da revista Seleções pede concordata nos EUA
(A partir de nota da AFP)

A editora Reader's Digest Association, cuja revista Seleções veio a ser a primeira revista mensal dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira, 24 de agosto, que pediu concordata para suas atividades nos EUA, como previu semana passada.

Mergulhada em uma dívida de US$ 1,6 bilhão, a editora teve sua medida aprovada por mais de 80% de seus credores. A concordata, no entanto, não envolve as atividades da Reader's Digest nos 44 países em que atua no exterior. Ontem, a Reader's Digest Association obteve um empréstimo de US$ 150 milhões destinado a cobrir as necessidades de liquidez do grupo durante o seu processo de reestruturação.

No meu entender, a Seleções agoniza por anacronismo.
Criada após a I Guerra Mundial, a revista primava pela edição enxuta, pelo texto otimista e o moralismo oculto sob aparente leveza.

Tantas guerras depois, sob um sistema capitalista cada vez mais multifacetado e octópode que tudo controla e tudo vê, quem - de fato - ainda tem como base o otimismo? E quem sinceramente acha que "rir é o melhor remédio"?

11.8.09

A mensageira e o poeta

Depois de uma noite que não se esquece e uma semana que parecia uma só noite, chego ao trabalho e há um cartão sobre meu telefone:


Yo debo
repartirme
hasta que todo sea dia,
hasta que todo sea claridad
y alegria en la tierra."
.....
Matutei sobre o autor da delicadeza.
Até que decifrei: era coisa de Morena, ainda de mudança para o cubículo.

Os sem diploma

É dura a vida da bailarina, mas a da jornalista não está se revelando melhor.


No site de empregos Trovit, podem ser lidos os seguintes classificados esta semana (grifo da redatora):

Uma Jornalista
Valparaíso de Goiás - GO Goiás
Empresa: Confidencial
Salário: 6000-8400 R$ Bruto anual (R$ 500 a R$ 700 mensais!)
Uma Jornalista do sex Feminino (estranho...pq a preferência?)
Experiência: Sem experiência (?????????)
Contrato de trabalho: Temporário

JORNALISTA Início im...
São Paulo - Capital
JORNALISTA Início imediato. Recém formada, pref. c/ exp. em ass. de imprensa, carro próp. dirigir em estrada e disp. p/ viagens no Brasil (recém formada, salário baixo e usando o próprio carro? Vai pagar para trabalhar...)

6.8.09

Aspas 1, 2 e 3

"Se o homem é formado pelas circunstâncias,
é necessário formar as circunstâncias humanamente."


"Casamento, para mim, é igual livro: primeiro vem a página 14, depois a 17. Como cada página é diferente da outra, cada dia também é. E quando a gente não entende nada, volta lá no prefácio para ver o que esqueceu."

"Estou devendo muito para mim mesmo."

Três vezes Morena

A contadora de estórias está cada vez mais imperdível:



Aliás, é neste que a terapeuta Anna Mayo explica:

"Eu sou uma pessoa que seguiu as pistas. Fiz o que esperavam de mim. Quando os métodos tradicionais falharam, dei lá minhas apeladinhas. Querem saber o resultado?

Equações.
Sim, equações. Querem conhecê-las?

bebedeiras = infeliz e deselegante
chocolate em excesso = infeliz e com uma pele péssima
malhação desenfreada = infeliz, burra e com lesões variadas

Parei de tentar, mas sei que a lista é infinita.

cosméticos e cirurgias = infeliz e esquisita
sexo sem critérios = infeliz e carente
bolsas e sapatos de grife = infeliz e endividada

Hoje acredito numa infelicidade banal, cotidiana, inofensiva. Detesto ficar chorosa em casa, agindo como se ser infeliz fosse algo estranho e vergonhoso no contexto do mundo convencional.

Eu assumo a infelicidade, convivo com ela. Eu a levo pra ver filmes, olhar museus, ver o mar num dia cinzento, arder sob o sol no parque, num dia claro. Gosto de falar sobre a infelicidade e de saber como os amigos estão lidando com ela. Às vezes rimos dela, outras vezes ela ri e nós choramos, mas o importante é que fazemos isso juntos.

Deveríamos experimentar talvez criar o nosso Dia Pessoal da Infelicidade Inofensiva.

Pode ser o aniversário daquele pé na bunda que enterrou nossas expectativas de um destino feliz. Pode ser o Natal em que uma família de psicóticos, deprimidos e mal-intencionados nos espera em volta de um patético prato de ave assada. Pode ser aquele dia em que você foi demitido depois de ter dado o sangue por uma empresa corrupta, apenas porque era `a pessoa cara da equipe´. Ou quando sua namorada está pondo um lindo vestido pra ser madrinha de um casamento junto com o ex-marido e te diz docemente que é melhor você não ir, 'para não criar confusão'. Toda esta dor é criação nossa e pode ser trabalhada e digerida por nós, não tenha dúvida.

Quer começar?"

2.8.09

Música em todo lugar

Blip.fm | What are you listening to?

@avivamagnolia: Baka Beyond - Jamming with the Baka in the rainforest at Lupé, a Baka hunting camp near the Congo/Cameroon border.

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Ouié!

Herb Alpert and The Tijuana Brass - Spanish Flea

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De pai para filho




Personagem de Jean-Pierre Léaud, Jacques Laurent, faz acerto de contas com o filho, após um período de afastamento entre os dois:

"O capitalismo gera a crise e a grise gera a guerra. Eu, como sou pacifista, escolhi a revolução porque não acredito numa terceira solução. Fiz isso à minha maneira. Não sei se foi bom, mais fiz. Você, faça o que puder."
(O pornógrafo, 2001, Direção de Bertrand Bonello)

31.7.09

Para fazer diferente

Todo dia faço tudo sempre igual: acordo às seis horas da manhã, aperto o botão para ouvir a Áurea Música na Rádio MEC e preparo o café-com-leite-pão-com-? de 210 kcal.

Hoje tocava Vivaldi e Händel. Para inaugurar tal dia tão promissor, apesar de cinzento, senti que precisava de poesia. Olhei para ele e encontrei:

A lista de necessidades
Conheço muitos que andam com uma folha
Que contém o que necessitam.
Quem chega a ver a lista, diz: é muito.
Mas quem a escreveu diz: é o mínimo.

Alguns no entanto mostram orgulhosos sua lista
Que contém muito pouco.

....

Eu que nada mais amo
Eu, que nada mais amo
Do que a insatisfação com o que se pode mudar
Nada mais detesto
Do que a insatisfação com o que não se pode mudar.
.....

Não digo nada contra Alexandre
Timur, ouvi dizer, deu-se o trabalho de conquistar a terra.
Eu não entendo:
Com um pouco de cachaça a gente esquece a terra.
Não digo nada contra Alexandre.
Apenas conheci pessoas nas quais
Era notável
Muito digno de vossa admiração
O fato de que
Simplesmente vivessem.
Os grandes homens transpiram suor demais.
Eu vejo em tudo apenas a prova
De que não aguentariam ser sós
E fumar
E beber
E coisas assim.
E devem ser muito mesquinhos
Para que lhes possa contentar
Fazer companhia a uma mulher.

(Bertold Brecht)

29.7.09

Aprendizados de quarta-feira

- Antes de viajar, consultar o modelo do avião. Airbus nunca mais.

- As regiões do cérebro giro-medial-frontal, córtex orbito-frontal e ínsula são capazes de antecipar e detectar ameaças

- Da próxima vez que cometer um erro, vou culpar o maiô

Menu du jour: design

A retrospectiva do designer francês Patrick Jouin começa amanhã, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Até 27 de Setembro.

Será que virá para o Rio?
Ou será inevitável viajar para SP?

Afinal, a de Sophie Calle também está por lá...

Filosofia em dois tempos

"O mundo me condena,

e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome

Mas a filosofia hoje me auxilia

A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim

Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo

Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente
sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia"

(Noel Rosa e André Filho em Filosofia, de 1933)

...

"Tudo é irracional no capitalismo, exceto o capital ou o capitalismo. Um mecanismo da bolsa é perfeitamente racional, podemos compreendê-lo, apreendê-lo, os capitalistas sabem servir-se dele, e, no entanto, é completamente delirante, é demente. É neste sentido que dizemos: o racional é sempre a racionalidade de um irracional.
Há algo que nunca foi suficientemente notado n'O Capital de Karl Marx: até que ponto ele está fascinado pelos mecanismos capitalistas, precisamente por serem simultaneamente dementes e funcionarem muito bem. Então, que é racional numa sociedade? É - estando os interesses definidos no quadro desta sociedade - a maneira como as pessoas os perseguem, perseguem a sua realização.
Mas, por baixo, há desejos, investimentos de desejos que não se confundem com os investimentos de interesse, e dos quais os interesses dependem na sua determinação e mesmo na sua distribuição: todo um enorme fluxo, todas as espécies de fluxos libidinais-inconscientes que constituem o delírio desta sociedade."

A propósito do 5ème arrondissement

Para sempre Truffaut: La femme d'à côté (1981)

Urca, 2005 (de 1min08 a 1min26)

"Could You Be Loved" by drewmgriffin on audioboo.fm








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História

"Tá tudo solto por aí

Tá tudo assim, tá tudo assim
Quem quer morrer de amor se engana
Momentos são momentos, drama
O corpo é natural da cama"
(Luiz Melodia, Presente cotidiano)

Abrigo

Um dos melhores sítios de artes visuais disponíveis na web brasileira hoje é o Canal Contemporâneo. Ele é ao mesmo tempo comunidade, agenda, newsletter, portfolio de vários artistas e livraria.

Confiram.

Imagem: capa da CONCINNITAS, revista do Instituto de Artes da UERJ, também em versão online

28.7.09

Dias que valem

Acontecem assim:

1. Você sai de casa para um trabalho externo. Uma assinatura de um acordo, no qual as partes selam atos e intenções sob painéis de Portinari emoldurados por jardins suspensos de Burle Marx.

2. Depois, é apresentado ao escritório onde Carlos Drummond de Andrade despachava para Gustavo Capanema (há uma pedra no meio da porta).

3. Ao sair, já no tempo presente, caminha pelo Centro, mirando as pedras portuguesas com saudade.


4. Autentica documentos.

5. Almoça frugalmente fazendo bem ao corpo.

6. Faz matrícula em curso que mudará o curso da vida.

7. Enquanto a documentação é examinada, toma um café no Centro Cultural ao lado e...

8. Mergulha automaticamente no Rio Volga!

9. Sua mente é arremessada nas cores, transparências, superposições e radicalidades de Kandinski e Maliévitch (como vemos nas três obras de sua trilogia negra ao alto);

10. Seus olhos derretem-se perante Pável Filónov (clique no quadro ao lado e veja com seus próprios) e se encantam curiosos frente a Olga Rózanova;


11. Assustam-se diante da dimensão do Promenade ("Passeio"), de Chagall.

12. Seu corpo e sua mente não dão conta do deslumbramento e concordam veementemente que precisam voltar no fim-de-semana para se render, ao mesmo tempo em que reterão para sempre aquelas imagens.

(E tudo isso em apenas três horas...)


13. Volta-se à base. Trabalha-se com sabor.

14. A janta (Alô, Alê, saudades muitas!) é em família. Descobre-se, pela primeira vez, que a aparência de uma adolescente inabalável esconde uma coluna sólida de sensatez.

15. Em casa, fim de noite, contabilizam-se as riquezas.

_______

E eu que, ao acordar, tive a audácia de pensar que se tratava de só mais um dia.

5ème arrondissement

Fanny Ardant explicando seu gosto pela intensidade, em entrevista ao Valor (edição de 17 a 19 de julho de 2009):

- Sou apaixonada pela vida. Acordo sempre de bom humor e me entrego de corpo e alma a tudo que faço. Nem que seja procurar um novo apartamento. Foi uma busca incessante, pois decidi morar num apartamento em que pudesse avistar uma árvore da janela do meu quarto. Ouvi dizer que nada de ruim acontece se a primeira coisa que vemos ao acordar é uma bela árvore.

...
Embaixo de minhas janelas, no Rio de Janeiro, há um parque inteiro.
E, no entanto, falta uma.
Única.
Para que os dias se tornem perfeitos.

* O casal eterno: Truffaut dirige Fanny Ardant no set da obra-prima "A mulher do lado". Foto do blog Urbano, do português Carlos Moura Carvalho

Bom dia!


13.7.09

Custa dizer "Eu te amo?"

Segundo os ingleses Steve Henry e David Alberts, autores do livro "Você é rico, só não sabe ainda", a resposta é positiva.

Eles resolveram estabelecer um ranking dos valores mais importantes para o ser humano além do dinheiro - o que eles classificaram como "uma alternativa ao sistema financeiro". Mas como certamente não conseguem se libertar do padrão capitalista, não só os listaram como os monetizaram.

A pesquisa envolveu 1.000 cidadãos no Reino Unido e a pergunta fundamental era: "o que lhe faz feliz?" Os entrevistados citavam até 50 experiências e as comparavam com o prazer de ganhar na loteria. O resultado está abaixo. Não publico o correspondente em dinheiro porque, para mim, nada disso tem preço. Mas se quiserem, os valores estão no Globo On.

1. Ter saúde

2. Ouvir "Eu te amo"

3. Estar em uma relação estável

4. Viver em um país seguro e em paz

5.Ter filhos

6. Passar tempo com sua família

7. Rir

8. Sexo

Depois disso vêm a felicidade no trabalho e tirar um dia de folga.

O interessante é verificar que a estabilidade permeia todas as escolhas citadas na pesquisa. Ou seja, não importa a idade, a condição social e a localização geoeconômica: tudo o que o ser humano quer envolve segurança e afeto.

9.7.09

Pina

1.7.09

Downsizing

Morena chega com dois livros para me presentear. Está se desfazendo de tudo porque vai mudar "para um cubículo."

- Cubículo? Por que?
- Capitalismo. Não fui eu que inventei.
Imagem: Palazzo Iseppo Porto

27.6.09

So what 9:22

Zanzas

Antes de chegar à Índia (por conta da intensa convivência com Peter Brook na última semana), passei por São Paulo e Roterdã.

Na primeira parada, o blog Noema, do amigo filósofo-executivo Abel Reis. Por ali, segui pelas águas de Hugh MacLeod, um praticante do ofício de acidificar os dias, como pode ser visto no cartoon acima.

Depois, encontrei b r n r d.net, o sítio do escritor e diretor de mídias digitais holandês Bernard Vehmeyer. Hiperdemocracia, patafísica, música colaborativa, subculturas, fotografia, arte e mitologia são alguns dos temas que podem ser discutidos naquela casa. Motivo para eternos retornos.

Tudo ao som de "So what", com Miles Davis fluido e divino em Kind of Blue (1959), acompanhado de seu quinteto não menos olímpico: John Coltrane, Bill Evans, Paul Chambers, Wynton Kelly e Jimmy Cobb.

O exílio na floresta

Uma das partes que mais gosto é a passagem em que todos os irmãos Pandavas morrem à beira de um lago. Ele pede a cada um: "Responda minha pergunta". Mas, como não o fazem, mata-os de sede.

Yudhishthira, antes de ter o mesmo destino, resolve atender a voz sem rosto. Aqui em texto de Brook-Carrière-Estienne:

Lago - O que é mais rápido que o vento?
Yudhishthira - O pensamento.

Quem pode envolver a terra?
A escuridão.

Quem é mais humano: os vivos ou os mortos?
Os vivos porque os mortos não existem mais.

Dê-me um exemplo de espaço...
Minhas duas mãos são uma.

Um exemplo de dor...
A ignorância.

De um veneno...
O desejo

Um exemplo de derrota...
A vitória

O que veio primeiro: o dia ou a noite?
O dia. Mas apenas porque chegou um dia antes.

Qual a origem do mundo?
O amor.

Quem é seu adversário?
Eu mesmo.

O que é loucura?
O remorso.

E revolta? Por que os homens se revoltam?
Para encontrar a beleza na vida ou na morte.

E o que para cada um de nós é inevitável?
A felicidade.

E qual é o grande milagre?
Todos os dias a morte ataca. E viveremos, pois somos eternamente. Esse é o grande milagre.

O lago é Dharma, pai de Yudhishthira e também a lealdade, a razão e a ordem no mundo. Em reconhecimento à sabedoria de seu filho, devolve a vida a seus irmãos.

OM

O Mahabharata é considerado o poema mais extenso do mundo, com cerca de 74.000 versos. Como um relato de Vyasa, ele é uma parábola sobre a humanidade e seus desejos, virtudes e vícios, através da disputa entre os primos Kauravas e Pandavas por um reino localizado ao Norte da Índia.


Uma versão belíssima foi encenada por Peter Brook. Primeiro para o teatro (1985), depois transportada para a TV e finalmente roteirizada pelo próprio Brook e por Jean-Claude Carrière e Marie-Hélène Estienne para o cinema (1989). Quem ousa cruzar os níveis de parentesco citados nos versos, tem aqui a genealogia.

25.6.09

Aula Prática




22.6.09

Um romance de geração

Cinema em nova forma: Sérgio Sant´anna por David França Mendes. Pelo trailler, inteligente solução de roteiro, diálogos bem colocados, ótimas trilha e direção de atores.
Estou de olho na estréia.

21.6.09

O sábado e as figuras da cidade - II

Sra. X é idosa (não perguntei a idade porque, sabemos, é uma das indelicadezas máximas).


Entretanto, ela é motorista de táxi há 35 anos. Seu filho mora em Brasília e seu irmão em Anchieta.
Sra. X mora com 33 cachorros e 17 gatos em uma casa na Zona Norte do Rio de Janeiro. Quando questionada se não tem medo de rodar à noite na cidade das almas e balas perdidas e se já não era hora de descansar, ela justifica:

- Preciso trabalhar para dar comida a eles.

O sábado e as figuras da cidade

"Sábado No Rio" by RosaneSerro on audioboo.fm








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Erisvaldo veio do Ceará. Vende seu produto na saída do Metrô do Catete, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro. Mas só começou a ser bem sucedido depois que encheu os pulmões e mudou a maneira de anunciá-lo. Deu tão certo que até virou atração no Programa do Jô. Aqui, um pouco do que atrai cada vez mais clientes:

- Ei, você aí, quer comer minha rosca?
- Podem ficar sossegados, a rosca é fresca e o dono dela também.
- Gente, minha rosca é tão boa que já estão pedindo de quatro! (Sobre um casal que pediu 4 unidades para viagem).
- Comprem logo, estou assando minha rosca desde as cinco da manhã!
- Gente, minha rosca eu não dou, só vendo.

15.6.09

Pelas imediações da praça fatigada

Fantoches da meia-noite


Prefácio de Ribeiro Couto para o álbum "Fantoches da meia-noite", de Di Cavalcanti formado por 11 pranchas e lançado em 1921:

- Fantoches da meia-noite... Como são infelizes, trágicos!
- Infinitamente, meu caro pintor. Devemos ter o ar vagabundo dos filósofos sem importância. Começamos a dizer baixo reflexões penosas.
- Nós também somos fantoches.
- Evidentemente.
- São todos. Somos fantoches... Não vês os cordéis do destino a movê-los, a mover-nos? São cordéis imponderáveis... E o destino sabe articular-nos com habilidades de contraregra cruel...
- Se eu conseguisse cortar os meus cordéis!
- Depois não poderias mover-te sozinho.
- É verdade... não tinha pensado.
- Somos de papelão, meu caro poeta...

Saímos. Temos um último olhar para o pianista doloroso. Vamos depois procurar outras coisas pelas imediações da praça fatigada. Há lugares alegres por aqui, mas nossos olhos desencantados vêem sempre os cordéis da fatalidade.
- Nunca poderemos nos divertir. Por que será que enxergamos esses fios que movem as criaturas? Elas não sabem de nada... E nós vemos tudo...
- Será hoje, talvez, porque estamos profundos... É bastante desagradável estar profundo.
- É inútil.
(Extrato disponível na exposição "Di Cavalcanti - Um perfeito carioca", realizada pela Caixa Cultural RJ, em 2006).
*Tela "Roda de Samba" (1929), de Di Cavalcanti, dedicada a Graça Aranha

13.6.09

Em 13 de Junho

Salve Antônio!

5.6.09

Trilha desses dias

Rita Ribeiro.
Voz que pinça nossa alma do corpo e a recoloca, ordenada.

4.6.09

Drummond ventríloquo

"Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: eu te amo"



Série "Grafites - 1990", de Luis Trimano: Estudos sobre
"O descanso da modelo", de Almeida Júnior (MNBA)

Geografia do mundo interior

Paixão recém-descoberta: Eduardo Recife.

Está no New York Times. No canal Turner Classic Movies. E na revista Foreign Policy

Mas é de Belzonte messss.

Barroco e digital na exata medida.
Na versão local e global.

Aspas

Woody Allen em entrevista à jornalista Tetê Ribeiro, publicada na revista da Folha de S. Paulo no último domingo:


- Sou neurótico mesmo, não preciso usar eufemismos.

29.5.09

Questão de Pascal

Lembrada pelo físico e professor Luiz Alberto Oliveira em sala de aula:

"Se o espaço é infinito, não há um onde.
Se o tempo é infinito, não há um quando.

Quem somos nós?"

Imagem: "A ponte de Heráclito", de René Magritte

Aforismo de Dalai Lama

Registrado na sala de espera de minha brilhante analista:


"Nosso propósito não deve ser prejudicado pelas oito preocupações mundandas: ganho ou perda, prazer ou dor, elogio ou crítica e fama ou infâmia."

Imperdível!!!

A retrospectiva dos filmes de Chris Marker no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Trata-se da primeira mostra do documentarista, fotógrafo, cineasta e escritor francês no Brasil.


Em minha lista estão:
La Jetée (Chris Marker, França, 1962, 35mm, PB, Fic, 28min) - “Esta é a história de um homem marcado por uma imagem de infância. A cena que o perturbou por sua violência, e cujo significado compreenderia apenas muito mais tarde, ocorreu na plataforma principal do aeroporto de Orly, alguns anos antes do início da III Guerra Mundial” (narração-off do filme). Única obra completamente ficcional de Marker, mítica fonte de inspiração de boa parte do cinema moderno, “Os dozes macacos” de Terry Gilliam baseou-se diretamente nela.

A.K. Retrato de Akira Kurosawa (A.K Portrait d’Akira Kurosawa, Chris Marker, França, 1985, 35mm, cor, Doc, 75min) - Documentário sobre a realização do filme “Ran”, no qual é apresentado detalhadamente o processo de trabalho do lendário Akira Kurosawa. Retrato de um cineasta trabalhando, é ao mesmo tempo uma homenagem e um diálogo com a obra do Sensei, sob a forma de um diário de filmagem dividido em dez seções rotuladas com caligrafia japonesa.

Junkopia - San Francisco (Chris Marker, França, 1981, 35mm, cor, Doc, 6min) - Na praia de Emeryville em São Francisco, durante as filmagens de “Sans Soleil”, Marker filma obras de artistas desconhecidos que utilizam restos marítimos para fabricar estranhas esculturas. Com a participação de colaboradores como Arielle Dombasle, Tom Luddy e Michel Krasna, cria uma impressionante colagem sonora. Ganhou o prêmio César de melhor curta-metragem documental.

Sem Sol (Sans Soleil, Chris Marker, França, 1982, 35mm, cor, 100min) - Uma mulher desconhecida e invisível lê e comenta as cartas que recebe de um amigo fotógrafo que percorre o mundo e se sente particularmente atraído pelo Japão e pela África, dois pólos extremos da sobrevivência. Obra mestra do cinema de ensaio, justaposição de itinerâncias, lembranças e tempos, é uma esplendorosa compilação das constantes do seu autor, onde a memória das imagens e das emoções brilha como nunca.

O fundo do ar é vermelho (Le fond de l’air est rouge, Chris Marker, França, 1977, 16mm/35mm>DVD, Doc, 180min) - Um grande ensaio global sobre uma década decisiva na história política. Começando por 1967, o ano que Marker considera o ponto de não-retorno, são repassados os conflitos do Vietnã, da Bolívia, Maio de 68, Praga e Chile, discutindo inclusive o destino da Nova Esquerda. O filme divide-se em duas partes, cada uma dividida em duas seções.

As estátuas também morrem (Les statues meurent aussi, Alain Resnais e Chris Marker, França, 1953, 35mm, PB, Doc, 30min) - A arte da África negra, que trata o tema da vida e da morte e que nasceu por motivos religiosos sucumbe às exigências comerciais e converte-se em artesanato, mas só até que apareça uma nova forma artística: a arte de combate. O filme toma corpo a partir do trabalho conjunto entre Resnais e Maker, primeiro em um ensaio sobre a fratura e perversão que o olhar ocidental exerce sobre a arte africana ao desligá-la do contexto e a significação original que lhe deu sentido, depois em um panfleto cinematográfico, no mais nobre sentido da palavra, de denúncia aberta contra o colonialismo, o que acarretou sua proibição pela censura francesa durante dez anos.

Descrição de um combate (Description d’un combat, Chris Marker, França/Israel, 1960, 35mm>Beta, cor, Doc, 60min) - Uma viagem pela topografia de Israel, dos kibbutzs às minorias árabes, os judeus ortodoxos e os turistas que retratam a luta interior do povo israelita por obter uma nova visão de si mesmos e do seu país. Narração a cargo de Jean Vilar, o filme ganhou o Urso de Ouro de melhor documentário no Festival de Berlim em 1961.

O túmulo de Alexandre (Le tombeau d’Alexandre, Chris Marker, França, 1993, Hi-8>Beta, PB e cor, Doc, 118min) - O tributo de Marker a seu ídolo e amigo, o diretor soviético Alexandre Medvedkine, sobre quem já havia filmado em 1971 “Le Train em marche”. O filme adota o markeriano formato epistolar, sete cartas a seu recém-falecido amigo, nas quais evoca sua obra e a história do cinema e da também recém-extinta União Soviética.

Um dia de Andrei Arsenevich (Une journée d’Andrei Arsenevich, Chris Marker, França, 1999, 16mm e vídeo>Beta, cor, Doc, 56min) - Realizado para a série de televisão "Cinéma de notre temps", é um retrato do cineasta soviético Andrei Tarkovsky, falecido em 1986, traçado conforme sua vida terminava e a batalha com a burocracia soviética que tinha por fim permitido que o seu filho pudesse vê-lo antes de morrer. Marker filma, cúmplice e próximo, este encontro, Tarkovsky em seu leito de morte e a filmagem de “Sacrifício”, em cuja montagem trabalhou até o final, especialmente neste último plano, “talvez o mais difícil da história do cinema”.

A felicidade (Schastye, Alexander Medevdkine, Rússia, 1934/1971,35mm>Beta, PB, 70min) - Filme dirigido por Alexander Medevdkine, o grande ídolo de Marker, foi restaurado para sua reestréia em 1971. Chris Marker participou ativamente da restauração e assina a edição de som deste filme.

Boina azul (Casque Bleu, Chris Marker, França, 1995, 27min,vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) - Reúne suas impressões sobre a missão dos ‘boinas azuis’ franceses na Bósnia, a partir do testemunho do novo médico François Crémieux, que se apresentou como voluntário para realizar ali seu serviço militar.

Um prefeito em Kosovo (Un maire au Kosovo, 2000, Chris Marker, França,vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) - Retrato do Bajram Rexhepi, prefeito de Mitrovica, que no passado foi sargento no Exército de Liberação Kosovar.

Que belê!

A propósito, a exposição “28 milímetros”, trouxe uma sensação boa de que vivo em uma cidade que preza e admira as artes visuais. Os olhos das mulheres espalhados por aí, pranchas do Jazz de Matisse acessíveis em Santa Teresa, o melhor da escultura de Houdon no Museu Histórico Nacional e a maravilha de ter à disposição dos olhos Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Portinari, Anita Malfatti, Volpi e Milton Dacosta da Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM (sendo que alguns dos quais se multiplicam no MNBA e na Chácara do Céu).

E ainda saber que no Rio moram Lindonéia e muitos dos beijos do Gerschman; o retrato de Gonzaga Duque feito por Eliseu Visconti, a
morena atônita de Rodolfo Amoedo e uma bela safra de bananas do Antonio Henrique do Amaral.

Também, como ser diferente? O Rio de Janeiro é cor, topografia, mistura. E o olhar é parte integrante da natureza do seu espaço urbano.

*Ou seja:


































27.5.09

Assim falou Spinoza

(Trechos da Ética, Trad. Tomaz Tadeu, Editora Autêntica, São Paulo, 2009)

Proposição 19 - Quem imagina que aquilo que ama é destruído, se entristecerá; se, por outro lado, imagina que aquilo que ama é conservado, se alegrará.

Proposição 23 - A mente não conhece a si mesma senão enquanto percebe as idéias das afecções do corpo.

A tristeza é a passagem do homem de uma perfeição maior para uma menor.

Proposição 39 - Quem tem um corpo capaz de muitas coisas tem uma mente cuja maior parte é eterna.

Fotos a partir da exposição "28 milímetros - Mulheres", do fotógrafo francês JR, realizada na Casa França Brasil e em locais de circulação do Rio de Janeiro*

26.5.09

Saída


Id

Sol sobre madeira.

Técnica mista
2009

Superego

Sol sobre madeira.

Técnica mista
2009

Fogueira

Sol sobre madeira
Técnica mista
2009

Fragmento

Sol sobre madeira
Técnica mista
2009

Móbiles

Sol sobre madeira
Técnica mista
2009

Rudeza

Sol sobre madeira
Técnica mista
2009

Renda


Borboleta

Sol sobre madeira

Técnica mista
2009

Paralelas


Tropicália


Mito da caverna


Meio-dia


Auto-exílio

As mesmas traças que devoraram as orelhas de Yoko Ono estavam famintas por outras palavras. Por isso chamei um exterminador e deixei minha casa, num recuo tático para garantir meu território.


Assim, exilei-me temporariamente no Hotel Mama Ruisa, em Santa Teresa. Lá, além de vigiar minhas janelas, fiquei muito tempo mirando um céu absurdamente azul e sem nuvens, os bem-te-vis, os urubus, os cachorros, os desenhos de Jean Cocteau, as formigas, o gato e os detalhes do casarão de 1912.

Também tirei 80 fotos durante uns 60 minutos do sol sobre o piso de pinho de riga, o janelão e os vasos de cerâmica. Acho que inaugurei uma nova fase como retratista (amadora).

Ah sim! Na chave do quarto estava Santo Antônio...

Receita

Gay Talese, em entrevista à correspondente Marília Martins, a propósito de sua participação na próxima Flip e de seu projeto de escrever suas memórias conjugais com sua esposa Nan, com quem convive desde 1958:

-Qual a receita para permanecerem juntos 50 anos?
R: Paciência e bom sexo.

25.5.09

Faça

1. Música

Obra Riso
Mantenha-se rindo por uma semana.

Obra Tosse
Tussa por um ano.

Obra de voz para soprano
Grite.
1. Contra o vento
2. Contra a parede
3. Contra o céu

Obra de gravação I
Obra Pedra
Grave o som de uma pedra envelhecendo

Obra Linha
Desenhe uma linha.
Apague uma linha.

Obra linha
Desenhe uma linha com você mesmo.
Continue desenhando até desaparecer.

2. Pintura

Pintura para ser construída em sua cabeça
Observe três quadros cuidadosamente.
Misture-os bem em sua cabeça.

3. Evento

Obra vôo
Voe.

Obra mapa
Desenhe um mapa para se perder.

Obra caixa
Compre muitas caixas de sonho.
Peça sua mulher para selecionar uma.
Sonhem juntos.

5. Objeto

Obra Chaminé
Construa três mil chaminés e as alinhe
de modo que pareçam uma sob um determinado ponto de vista
e três mil de outro.

Obra Telescópio
Faça uma escultura e coloque-a numa montanha
para as pessoas verem com telescópios.

7. Dança

Obra Dança
Dê um baile.
Deixe as pessoas dançarem com as cadeiras.
....................................................................................

Gostou?
É Yoko Ono.

Seus poemas - compilados no livro Grapefruit (Sphere Books Limited, 1970, cuja edição original aqui de casa está parcialmente comida pelas traças - o que certamente agradaria a autora) - assim como o restante de sua obra foram recentemente analisados por Whitney Frank no artigo "Instrução para destruição: a arte performática de Yoko Ono", publicado na edição de Fevereiro da revista Intersections, da Universidade de Washington (Seattle).

The ballad of John & Yoko

Acabei de ler a biografia do John Lennon (John Lennon: A vida, Cia. das Letras, 840p, 2009) brilhantemente escrita pelo jornalista Philip Norman. Durante três anos, o coleguinha inglês recebeu de Yoko passe livre para vasculhar documentos e arquivos e ter contato com personagens chave como seu filho Sean Lennon, Neil Aspinall (ex-roadie dos Beatles, falecido ano passado, aos 66 anos), Derek Taylor (ex-assessor de Imprensa dos Beatles) e outros. ´


Norman conta fatos nunca antes revelados e passa longe do relato chapa branca publicado por Hunter Davies em 1968. O resultado foi tão bom e objetivo que Yoko retirou seu apoio ao livro, por ocasião de sua edição.

Há várias passagens instigantes e surpreendentes. Ao fim, nos damos conta que – apesar de toda exposição visceral e pública que John promovia de suas dores e desencontros – durante 20 anos nos relacionamos apenas com um Lennon midiático.

E mais: que ao lado do homem inseguro, paranóico, ansioso, ególatra, competitivo, superficial, impressionável e cruel (porém também gentil, generoso e muito talentoso) estava uma mulher lúcida.
Entre erros e acertos, ela viveu com uma visão clara da natureza de seu companheiro e optou por decisões que pudessem garantir mais segurança aos dois. Inclusive deixar seu trabalho como artista plástica para tornar-se uma mulher de negócios a fim de preservar o patrimônio amealhado desde os Beatles.

As respostas que importam

De qualquer modo, uma expressão utilizada por Schmidt ficou rondando minha semana: “encontrar as respostas que realmente importam”.

Estou nesse movimento há dois meses, desde que larguei minhas malas na escadaria do Canal Grande. Veneza, quando quer, pode ser dissimulada. E se existe disposição para ir além da Piazza San Marco e de Rialto, prepare-se, pois seus becos labirínticos o engolem e é necessário entregar-se. Perder o controle. Permitir-se ser guiado pelo caminho.

E esse é o início da enorme e inesperada viagem existencial: o labirinto se impõe e você reluta. Insiste, se perde. Arrisca, perde. Se enraivece e se perde. Luta e perde. Até ceder. Quando se depõem as armas, o caminho se descortina.

Depois de percorrer praças, vielas, canais e jardins dias a fio, voltei ao meu Rio.

Aqui, as respostas que realmente importam estão nas sessões de análise. Nos aforismos de Spinoza. Nas aulas de Luiz Alberto Oliveira sobre o desenvolvimento do pensamento e seu impacto na História da humanidade. Nas vivências experimentadas através da pintura e da arte contemporânea a que tenho me submetido semanalmente para sanar a fome inesgotável do espírito.

E ainda: na observação do céu e das árvores. Nas discussões cada vez mais intensas com minha amiga Tesla sobre o desvelar do conhecimento. Nas palavras que voam desgovernadas e caem no meu colo com sentido. E no encantamento inesperado e crescente por um bebê (que vem a ser minha sobrinha). Nunca antes eu havia me apaixonado por um bebê que não fosse aquele produzido por mim. De repente, ao vê-la e tocá-la, não é preciso mais buscar respostas. As perguntas se dissolvem.

Humano demasiado humano

Sensacional também é ouvir uma advertência para se “criar relações humanas”. Uau! Será que já nos afastamos tanto de nossa espécie que precisamos reaprender a nos relacionar uns com os outros? Tudo bem que o fascínio pela tecnologia aliado à necessidade de controle (e uma grande parcela de medo, claro) nos fez interpor cada vez mais máquinas e dispositivos nas relações sociais.

Hoje, nos falamos muitíssmo: pelo celular, pelo Orkut, pelo Facebook, pelo MySpace, pelo Flickr, pelo Twitter, pelos blogs, pelo Second Life, pelo MSN, por torpedos, por e-mail... Mas não nos vemos nunca!

No fundo, é importante que Eric Schmidt faça esse alerta. Afinal, trata-se de uma autoridade do mundo virtual. Um case de sucesso. Alguém totalmente entranhado nas nervuras do ciberespaço que pode ser ouvido e respeitado pela juventude.

Mas que seja rápido. Não gostaria de ter bisnetos carimbados com o selo “100% proveta”.

Foto: Filipa Carvalho

Por uma vida mais analógica

No último dia 18 de Maio, o presidente do Google, Eric Schmidt, disse a seis mil graduandos de uma turma de formatura da Universidade da Pennsylvania, que eles precisam “encontrar as respostas que realmente importam” e para isso eles deveriam se afastar do mundo virtual, viver uma vida analógica e “criar relações humanas”.

- Desliguem seus computadores – chegou a bramir Schmidt, durante a cerimônia.

A declaração do presidente do Google é sensacional. Equivale ao dono do aviário aconselhar seus consumidores: “Comam mais peixe. É mais nutritivo, eles são uma fonte natural de Ômega 6 e vêm sem hormônios.”

7.5.09

Perdição


Vizinhança


Itália clássica


Mão única


Rumo


Varanda


Boas vindas


6.5.09

Onde terminar


Veneza. Primeira visão.

5.5.09

Kaiserpanorama

Monumental. Exposição "Zauber der ferne" (Lugares mágicos e distantes), no Museu Viena. Toda iconografia do imaginário exótico dos viajantes do século XIX.


Ver Sacrum

Prédio Secessão: construído por Joseph Olbrich, em apenas dois anos (1897-1898), para abrigar as obras do movimento de vanguarda que chocou a aristocracia austríaca. Hospeda o Beethoven Frieze, de Klimt.

Biblioteca Nacional


O preferido de Trotsky,



Freud, Adler e Robert Musil ("O homem sem qualidades"): Cafe Central.

Hotel-Sacher-com-torta




Tudo sobre.

Depois da chuva



Karlsplatz.

Amor verdadeiro



Vênus e Marte, no Belvedere de cima

Pequena empresa



(Ou , se preferir, lavanderia).

Corporação


Tempo



O divã está em Londres. Mas este espelho - assim como a mobília da sala de espera - permanece na mesma posição em que era utilizado por Freud, na janela do consultório onde clinicou por 47 anos.

Além do princípio do prazer


Edição 1920. Estante Dr. Sigm. Freud

Bergasse, 19


E culpa


4.5.09

Vigilância


Simetria


Exatidão


Por onde começar


Viena.

25.4.09

Grândola a tua vontade


Jurei ter por companheira


À sombra duma azinheira


Em cada rosto igualdade


Em cada esquina um amigo


Dentro de ti, ó cidade


O povo é quem mais ordena