Em minha lista estão:
La Jetée (
Chris Marker, França, 1962, 35mm, PB, Fic, 28min) - “Esta é a história de um homem marcado por uma imagem de infância. A cena que o perturbou por sua violência, e cujo significado compreenderia apenas muito mais tarde, ocorreu na plataforma principal do aeroporto de Orly, alguns anos antes do início da III Guerra Mundial” (narração-off do filme). Única obra completamente ficcional de Marker, mítica fonte de inspiração de boa parte do cinema moderno, “Os dozes macacos” de Terry Gilliam baseou-se diretamente nela.
A.K. Retrato de Akira Kurosawa (A.K Portrait d’Akira Kurosawa, Chris Marker, França, 1985, 35mm, cor, Doc, 75min) - Documentário sobre a realização do filme “Ran”, no qual é apresentado detalhadamente o processo de trabalho do lendário Akira Kurosawa. Retrato de um cineasta trabalhando, é ao mesmo tempo uma homenagem e um diálogo com a obra do Sensei, sob a forma de um diário de filmagem dividido em dez seções rotuladas com caligrafia japonesa.
Junkopia - San Francisco (Chris Marker, França, 1981, 35mm, cor, Doc, 6min) - Na praia de Emeryville em São Francisco, durante as filmagens de “Sans Soleil”, Marker filma obras de artistas desconhecidos que utilizam restos marítimos para fabricar estranhas esculturas. Com a participação de colaboradores como Arielle Dombasle, Tom Luddy e Michel Krasna, cria uma impressionante colagem sonora. Ganhou o prêmio César de melhor curta-metragem documental.
Sem Sol (Sans Soleil, Chris Marker, França, 1982, 35mm, cor, 100min) - Uma
mulher desconhecida e invisível lê e comenta as cartas que recebe de um amigo fotógrafo que percorre o mundo e se sente particularmente atraído pelo Japão e pela África, dois pólos extremos da sobrevivência. Obra mestra do cinema de ensaio, justaposição de itinerâncias, lembranças e tempos, é uma esplendorosa compilação das constantes do seu autor, onde a memória das imagens e das emoções brilha como nunca.
O fundo do ar é vermelho (Le fond de l’air est rouge, Chris Marker, França, 1977, 16mm/35mm>DVD, Doc, 180min) - Um grande ensaio global sobre uma década decisiva na história política. Começando por 1967, o ano que Marker considera o ponto de não-retorno, são repassados os conflitos do Vietnã, da Bolívia, Maio de 68, Praga e Chile, discutindo inclusive o destino da Nova Esquerda. O filme divide-se em duas partes, cada uma dividida em duas seções.
As estátuas também morrem (Les statues meurent aussi, Alain Resnais e Chris Marker, França, 1953, 35mm, PB, Doc, 30min) - A arte da África negra, que trata o tema da vida e da morte e que nasceu por motivos religiosos sucumbe às exigências comerciais e converte-se em artesanato, mas só até que apareça uma nova forma artística: a arte de combate. O filme toma corpo a partir do trabalho conjunto entre Resnais e Maker, primeiro em um ensaio sobre a fratura e perversão que o olhar ocidental exerce sobre a arte africana ao desligá-la do contexto e a significação original que lhe deu sentido, depois em um panfleto cinematográfico, no mais nobre sentido da palavra, de denúncia aberta contra o colonialismo, o que acarretou sua proibição pela censura francesa durante dez anos.
Descrição de um combate (Description d’un combat, Chris Marker, França/Israel, 1960, 35mm>Beta, cor, Doc, 60min) - Uma viagem pela topografia de Israel, dos kibbutzs às minorias árabes, os judeus ortodoxos e os turistas que retratam a luta interior do povo israelita por obter uma nova visão de si mesmos e do seu país. Narração a cargo de Jean Vilar, o filme ganhou o Urso de Ouro de melhor documentário no Festival de Berlim em 1961.
O túmulo de Alexandre (Le tombeau d’Alexandre, Chris Marker, França, 1993, Hi-8>Beta, PB e cor, Doc, 118min) - O tributo de Marker a seu ídolo e amigo, o diretor soviético Alexandre Medvedkine, sobre quem já havia filmado em 1971 “Le Train em marche”. O filme adota o markeriano formato epistolar, sete cartas a seu recém-falecido amigo, nas quais evoca sua obra e a história do cinema e da também recém-extinta União Soviética.
Um dia de Andrei Arsenevich (Une journée d’Andrei Arsenevich, Chris Marker, França, 1999, 16mm e vídeo>Beta, cor, Doc, 56min) - Realizado para a série de televisão "Cinéma de notre temps", é um retrato do cineasta soviético Andrei Tarkovsky, falecido em 1986, traçado conforme sua vida terminava e a batalha com a burocracia soviética que tinha por fim permitido que o seu filho pudesse vê-lo antes de morrer. Marker filma, cúmplice e próximo, este encontro, Tarkovsky em seu leito de morte e a filmagem de “Sacrifício”, em cuja montagem trabalhou até o final, especialmente neste último plano, “talvez o mais difícil da história do cinema”.
A felicidade (Schastye, Alexander Medevdkine, Rússia, 1934/1971,35mm>Beta, PB, 70min) - Filme dirigido por Alexander Medevdkine, o grande ídolo de Marker, foi restaurado para sua reestréia em 1971. Chris Marker participou ativamente da restauração e assina a edição de som deste filme.
Boina azul (Casque Bleu, Chris Marker, França, 1995, 27min,vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) - Reúne suas impressões sobre a missão dos ‘boinas azuis’ franceses na Bósnia, a partir do testemunho do novo médico François Crémieux, que se apresentou como voluntário para realizar ali seu serviço militar.
Um prefeito em Kosovo (Un maire au Kosovo, 2000, Chris Marker, França,vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) - Retrato do Bajram Rexhepi, prefeito de Mitrovica, que no passado foi sargento no Exército de Liberação Kosovar.